Preservar e Transmitir pedaços do nosso Património

01
Nov 08

- Lenda do Distrito da Guarda -

Almofala foi em tempos terra de Mouros como o indica o significado do seu nome em árabe: "hoste ou arraial de Mouros". Nesses tempos longínquos vivia em Almofala uma jovem muito bela chamada Salúquia que a todos fascinava e trazia presos aos seus caprichos, em completa submissão. Até que um dia um novo governador árabe jovem, bonito e altivo veio chefiar aquela região e a todos pediu obediência completa na organização da defesa na luta contra os cristãos. Todos baixaram as cabeças, excepto Salúquia que, habituada a não obedecer e a ser obedecida, lhe perguntou se ela também teria de obedecer. O governador inteirando-se do estranho poder de Salúquia, disse-lhe que se não obedecesse seria castigada. Desafiadora, Salúquia disse que se ele ousasse castigá-la seria amaldiçoado e, perante o ousado desafio, o governador mandou que lhe dessem seis vergastadas. Passou algum tempo, durante o qual as invasões cristãs não davam descanso ao governador que, de repente, começou a padecer de dores estranhas que nem os melhores físicos conseguiam curar. Era a maldição de Salúquia que começava a fazer efeito.

Os cristãos estavam agora já nos arredores de Almofala confrontando-se com os mouros. Salúquia que o castigo tinha amargurado andava pelos campos, vagueando sozinha. Foi então que encontrou um cristão velho e ferido que lhe pediu ajuda. Salúquia recusou porque iria contra as ordens do governador. Quando o cristão lhe perguntou se o governador era cruel, Salúquia surpreendeu-se a si própria ao dizer que era apenas justo. Nesse momento, surpreenderam-na o tom da sua voz e a emoção que sentiu. Foi então que o cristão lhe disse o que o seu Deus lhe tinha dito: apesar de ter amaldiçoado o governador Salúquia amava-o e, pelo seu lado, o governador também a amava e nunca a tinha esquecido. Se Salúquia o ajudasse, o Deus dos cristãos também a ajudaria a reparar o mal que tinha feito com a sua maldição. A pedido do ferido, Salúquia levou-o a uma fonte próxima e verificou com espanto que as suas águas lhe saravam as feridas. Nesse momento, Salúquia e o cristão ouviram os passos de um cavalo que se aproximava: era o governador que quando os viu se apeou do cavalo. As dores fortes que sentia interromperam as suas primeiras recriminações. Salúquia deu-lhe a beber a água da fonte e começou a chorar, dizendo-lhe que era capaz de dar a vida por ele. O governador, curado das suas dores, abraçou-a e disse-lhe que a amava desde o primeiro momento que a tinha visto, mas o orgulho de ambos os tinha afastado. O cristão desapareceu e Salúquia e o governador viveram felizes para sempre. Mais tarde, quando aquelas terras foram conquistadas pelos cristãos, foram ambos baptizados. As águas de Almofala continuam ainda hoje, diz o povo, a manter os seus incríveis poderes curativos.

 


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