Preservar e Transmitir pedaços do nosso Património

30
Jun 08

- Lenda do Distrito de Vila Real -

 

 

 

 

A Serra do Alvão, com os seus ciclópicos penedos e ravinas alcantiladas, vestida de branco no Inverno e de verde no Verão, com ar severo e misterioso, era ambiente propício para excitar a imaginação dos que por lá andavam a ganhar o pão ou por lá passavam, a caminho de Vila Real. Não admira, pois, que, à sua volta, as lendas surgissem, com toda a naturalidade.

Lá bem no alto da serra, junto da povoação de Arnal, ergue-se um descomunal fragão,

chamado Penedo Negro e também A Capela, por ter um recorte em forma de portão de igreja, forrado de musgo verde e macio. Os pastores e os viandantes olhavam-no com curiosidade e receio e passavam lá com o credo na boca, pois havia quem dissesse que, à meia noite, lá dentro, se ouvia um cantar muito triste e arrasta–do de mulher que, no entanto, ninguém conseguia ver.

Mas, certa madrugada, ainda com estrelas no céu, passou por lá um aldeão, recoveiro de ofício, que ia à Vila fazer compras, como de costume. E justamente quando ladeava o esfíngico penedo, ouviu um ruído surdo semelhante ao ranger de gonzos de pesado portão. Com os cabelos eriçados, olhou para o sítio donde viera o ruído estranho e deu com os olhos numa Senhora muito linda, de sorriso triste mas encantador, como nunca tinha visto, que lhe disse com voz meiga: - Não tenhas medo e presta bem atenção ao que vou dizer-te. Eu sou uma moura encantada e tenho tanto oiro que não há balanças que o possam pesar. Pois todo este oiro será teu e eu própria irei para tua casa e casarei contigo, se conseguires desencantar-me. Para que isso aconteça, traz-me da Vila uma bola de quatro cantos. Mas toma bem sentido: não a "encertes" por nada deste mundo; se não, dobras-me o encanto.

Dito isto, desapareceu no interior do Penedo Negro e a porta voltou a fechar-se como se abriu. O bom recoveiro, muito surpreendido com aquela inesperada aparição, retomou a jornada, serra abaixo, sempre a repetir as palavras da linda Senhora que não lhe saía do pensamento. Mal entrou nas portas da Bila, tratou de mercar a bola de quatro cantos, não fosse o pão acabar cedo, pois era dia de feira. Só depois iniciou as outras voltas. Apreçou, aqui e ali, a mercadoria e fez as compras para si e para os vizinhos. Enfiou o alforje no grosso varapau de marmeleiro apoiado sobre o ombro e pôs-se a caminho de casa, já com o sol a baixar para trás da serra. E, como não tinha comido nada, pois comer na estalagem é um roubo, e a jornada era longa e penosa, sentiu uma vontade irresistível de comer. Mas

comer o quê, se só levava a bola de quatro cantos e a Senhora lhe recomendara tanto que a levasse bem inteirinha? E perdia toda aquela riqueza que a Senhora prometera dar-lhe?

Pôs de parte aquela ideia maluca e continuou a caminhar.

Mas um pouco a cima de Agarez, avistou uma fonte gorgolejante que o convidava a matar a sede e a descansar. E, como à fome e à sede ninguém resiste, resolveu parar, pensando lá com os seus botões: - É certo que prometi à Senhora levar a bola inteira e eu não sou homem de faltar à palavra. Mas, como diz o outro, a fome não tem lei. Vou comer só um canto e levo-lhe os outros três. A Senhora pareceu-me tão boazinha... há-de compreender e perdoar. E, se bem o pensou, melhor o fez. Sentou-se à beira da fonte, pós o alforje no chão, comeu o canto da bola e bebeu uma tarraçada de água fresca. Depois, já reconfortado, retomou a subida da encosta. Ao chegar junto do Penedo Negro, bateu com a ponta do varapau. A porta abriu-se rapidamente e a Senhora reapareceu, mas agora com o semblante carregado, e disse-lhe com ar severo:

Em cavalo de três pernas,

Contigo não posso ir.

Fecha-te, porta de pedra,

Para nunca mais te abrir.

E desapareceu, enquanto o Diabo esfrega um olho, atrás da porta de pedra, para sempre.

O pobre do homem, com os três cantos da bola na mão e o alforje das compras ao ombro, partiu, desalentado, para a sua aldeia, onde passou o resto da existência, a lamentar a tentação de comer da bola de quatro cantos, e a calcorrear os caminhos da serra para ganhar a vida.

E a Senhora linda lá continua encantada, com os seus tesouros fabulosos, no Penedo Negro, a que os povos da serra, por essa razão, também chamam Calhau do Encanto.

 


29
Jun 08

- Festa Tradicional do Distrito de Bragança -

 

O culto de Santo Estêvão encontra-se associado às festas dos rapazes, integradas no ciclo de festividades do Solstício do Inverno que aqui se desenrolam, no período que decorre do dia 24 de Dezembro ao dia 6 de Janeiro, e que no passado pagão terão sido dedicadas ao culto do Sol. Com o advento do cristianismo, foram adoptadas pela Igreja que lhes conferiu um carácter cristão.

Os preparativos da festa dos rapazes começam bem cedo: a negociação com o gaiteiro, o pedido de empréstimo da casa para os diferentes momentos de convívio, a compra da vitela, as rondas à noite ao som da gaita-de-foles anunciam a festa logo desde o início de Dezembro. A iniciativa da sua realização, bem como toda a sua organização cabe aos dois mordomos escolhidos no ano anterior. No dia da festa, a alvorada dá-se de madrugada, com duas rondas pela aldeia ao toque da gaita-de-foles dos tambores e dos cânticos. Nesta região transmontana, intervém um traje especial de mascarados no ciclo das festas de Natal - chocalheiros, zangarões, mascarões e caretos - que actuam como meros mendigantes ao serviço da igreja, percorrendo as localidades a recolher escudos ou outros tributos. Os mascarados para além das mascaras de folheta pintada, usam fatos, na maioria das vezes, feitos de colchas de fabrico caseiro, decorado de trama de lã vermelha, composta de casaco com capuz.

 

 

 

 

 

 

Assim, um grupo constituído exclusivamente por rapazes com pelo menos 16 anos, depois da missa do Natal, envergando as máscaras e os respectivos trajes, percorrem as casa vizinhas, uma por uma. Com o fim da peregrinação às casas, os rapazes ocupam posições estratégicas por forma a amedrontar as pessoas, nomeadamente mulheres e crianças com o objectivo de as forçar, tácita ou explicitamente, a concentrarem-se no largo da aldeia, onde tem lugar o colóquio e as loas.

 

 

Esta últimas consistem na apresentação das boas festas, por um mascarado que sobe a um palco rudimentar preparado para o efeito, enquanto os outros mascarados, comentam um a um, em tom sarcástico os acontecimentos mais importantes ocorridos ao longo do ano.

À noite, os rapazes realizam a ceia. No fim da refeição, a nomeação dos novos mordomos é feita no jantar do dia 26 e a transposição simbólica dos poderes é dada pela troca dos chapéus, os quais apresentam como sinal distintivo uma fita vermelha com as pontas pendentes sobre as costas. Os mordomos velhos elegem os novos. Experimentam os chapéus na cabeça de todos os rapazes presentes, perguntando se serve ou não. Após a resposta, ouve-se o grito de proclamação: «Vivam os mordomos novos». E a festa acaba com um baile onde finalmente intervêm as raparigas.

  

 

 

Sites consultados: Câmara Municipal de Mirandela, Notas ao Café, Bragancanet

Imagens retiradas do blogue Ferrado de Cabrões


28
Jun 08

- Artesanato do Distrito de Braga -

Diz-se que a origem dos "lenços dos namorados" remonta aos séculos XVII - XVIII, quando as Senhoras bordavam para passar tempo, sendo que, ao longo dos tempos, foram sendo adaptados para as mulheres do povo.

No início, estes lenços, faziam parte do vestuário feminino e tinham apenas uma função decorativa. Eram lenços quadrados, de linho ou algodão, bordados conforme o gosto de cada um.

No entanto, estes lenços, tinham outra função: a conquista do namorado.

Uma rapariga, quando chegava à idade de casar começava a bordar um lenço em linho ou algodão (tal e qual a Penélope de Ulisses ... mas custa-me a crer que a tradição venha daí ... o Homero era um ilustre desconhecido!).

Depois de bordado, o lenço era entregue ao namorado ou "conversado" e era em conformidade com a atitude deste usar publicamente ou não, que se decidia o namoro. Se este aceitasse, poria o lenço por cima do seu casaco domingueiro, colocava-o ao pescoço com o nó voltado para a frente, usava-o na aba do chapéu ou até mesmo na ponta do pau que era costume o rapaz trazer consigo.
Caso contrário, o lenço voltaria às mãos da rapariga.
Se por acaso, ele aceitasse mas, mais tarde, trocasse de parceira, fazia chegar à sua antiga pretendida o lenço, e outros obejectos que lhe pertencessem, como fotografias, cartas ... (a imaginação que as pessoas tinham ... muito melhor do que as sms e os msn's todos do planeta ... até para terminar o namoro eram criativos! ).

Podia também acontecer, os lenços serem motivo de uma simples brincadeira ou troca de palavras. "Nas festas os rapazes tiravam os lenços das raparigas simulando uma ligação amorosa. Quando o rapaz já tinha namorada o facto de simular uma ligação com outra ao roubar-lhe o lenço era muitas vezes motivo de desavença entre a sua namorada e aquela a quem o lenço tinha sido roubado" ( bem ... para isto, não há tempo que cure! ).

"Quando eram utilizados pelas suas "donas" no seu trajo de festa, estes eram colocados do lado direito da cintura, deixando pender uma das pontas, dando assim à sua indumentária uma graciosidade particular".

Os lenços, representam o sentimento da rapariga em relação ao rapaz, no qual ela escreve pequenos versos de amor, ou símbolos. Damos conta muitas vezes, de erros ortográficos nestes lenços, que denunciam a falta de instrução da época.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Têm de concordar comigo que esta tradição é divertida, talvez pelo seu carácter tremendamente popular e ingénuo, não deixando nunca de ser adorável!

 


Sendo bordados a ponto cruz, estes lenços eram muito trabalhosos e morosos, obrigando a "bordadeira" a ser muito paciente e cuidadosa na sua confecção.
Com o passar dos tempos, foram-se adoptando outros tipos de pontos mais fáceis e rápidos de bordar. Com esta alteração a decoração inicial dos lenços modifica, as originais cores de preto e vermelho, vão dar origem a uma série de outras cores e outros motivos de decoração. Não se perdendo nunca, o objectivo principal!

 

Sites consultados: O Leme, Ceramicarte, Aliança Artesanal

Imagens retiradas do Google


27
Jun 08

- Artesanato do Distrito de Vila Real -

 Barro preto - Artesão - Bisalhães

 

O Barro negro de Bisalhães, típico de Vila Real, possui uma técnica única de tratamento, Este, é também, um dos prinicpais produtos de artesanato da região.

 

 Barro preto - Bisalhães 

 

O barro, depois de britado é espalhado na eira para secar ao sol. De seguida, é transportado para os "pios" de pedra e moído, até se desfazer em pó, retiram-se as impurezas, mistura-se com água e amassa-se. Depois, o oleiro dá-lhe forma na roda de oleiro e, antes que esta seque, ornamenta-se com flores e outras formas.

A cozedura faz-se num forno aberto no chão (soenga). Colocam-se as peças, e cobrem-se com rama de pinheiro verde, a que se ateia fogo. Quando este começa a ficar com aspecto avermelhado (em brasa), abafa-se o fogo com caruma, musgo e terra escura, para que não se libertem fumos e seja obtida a cor negra característica.

 

Encontra-mos diferentes tipos de louça negra: a "churra" (que é mais grosseira, negra e sem brilho) e a "gogada" (que é fina e sem defeito).

Também se fazem miniaturas nesta louça.

 

Sites consultados: Wikipédia, Lifecooler


26
Jun 08

 

- Lugares do Distrito de Bragança -

 

 

Para apreciar superfície tão rica e bela, convém dispor de uma viatura e de alguns dias livres.

 

Em pleno Parque Natural de Montesinho e a cerca de 1030 metros de altitude, esta aldeia típica transmontana vai sendo recuperada, para aproveitamento turístico.

 

 

Montesinho é pobre em recursos agrícolas, mas rico em recursos agro-pecuários. O cabrito de Montesinho é um dos seus produtos mais afamados, criado nos montes circundantes ao vento e ao frio rigoroso do Inverno e nos calores ásperos do verão.

Montesinho já foi mais próspera do que é hoje, noutros tempos até teve um posto de Guarda! Mas tornou-se, sobretudo, num dormitório de pessoas que lá iam ficando, que vinham em busca de trabalho nas minas.

Mas com o encerramento destas muitos saíram da aldeia, e os mais jovens emigraram em busca de melhores condições de vida.

 

 

No entanto todos se juntam para a festa de Sto Antonio no terceiro domingo de Agosto

Falar da Aldeia de Montesinho sem falar da beleza natural que a rodeia é quase impossível.O Parque Natural de Montesinho tem uma superfície de 75000 hectares, é um dos maiores do país. O Parque Natural de Montesinho situa-se no "limite" Nordeste de Portugal, englobando a área das serras de Montesinho e Coroa, portanto a parte norte dos Concelhos de Bragança e Vinhais.

 

 

A região é caracterizada por uma sucessão de formas arredondadas, aqui e ali separadas pelos vales de rios profundamente encaixados. Os terrenos são dominantemente xistentos, tendo no entanto expressão afloramentos de rochas básicas, alguns afloramentos de calcários, nomeadamente em Cova de Lua e Dine, e manchas graníticas na parte superior da serra de Montesinho e nos Pinheiros.

 

Sites consultados: Bragancanet, Guia da Cidade

Imagens retiradas do Google

 

 


25
Jun 08

- Monumento do Distrito de Braga -

 Castelo de D. Chica, Portugal.

O Castelo da Dona Chica (ou também, Castelo da Palmeira ou Palácio da Dona Chica), localiza-se na freguesia de Palmeira, Braga. É um edifício apalaçado de estilo Romântico, projectado pelo Arquitecto Ernesto Korrodi. É um Palácio que conjuga vários estilos como o neo-gótico, neo-renascentista e neo-clássico.

O Palácio, ainda que inacabado, possui um jardim, um lago, uma gruta e diversos canais artificiais. É constituído por quatro pisos.

 

 

Em 1915 é realizado o projecto do arquitecto Suiço, Ernest Korrodi e mandado contruir por João José Ferreira Rego, casado com a brasileira Francisca Peixoto Rego ( daí o nome do Castelo ser “Dona Chica”) que mandou vir do Brasil muitas das espécies de árvores existentes no jardim.

Em 1919 a obra é suspensa, numa altura em que só estavam construídas as estruturas fundamentais, sendo que, se orçamentava as obras em 370 contos de Reis.

Em 1938 é vendido a um fidalgo inglês por 165 contos de réis, que por sua vez o vende, por 80 contos de réis, ao guarda-livros do Conde de Vizela.  Francisco Joaquim Alves de Macedo adquiriu o Palácio e começou a fazer obras no interior do Palácio, mas geraram-se algumas divergências com a autarquia local. Desse modo, foram-se destruindo elementos decorativos interiores (azulejos, tijoleiras e telhas), não restando quaisquer vestígios para uma possível reposição dessas peças.

Na segunda metade século XX é adquirido pela Junta de Freguesia de Palmeira, que entrega o imóvel à IPALTUR, através de um contrato de longa duração.

A 20 de Fevereiro de 1985 é classificado como Imóvel de Interesse Público. Em 1992 adapta-se o Palácio num espaço cultural e recreativo, no entanto, a IPALTUR trespassa o Palácio a uma empresa para pagar uma dívida, no entanto, esta não é aceite e IPALTUR, em 1993, entra em falência, e o imóvel é adquirido pela Caixa geral de Depósitos como hipoteca. Sendo que, em 2006, ainda se encontrava para venda.

Texto Adaptado da Wikipédia – Castelo da Dona Chica

É uma pena um edifício com tanto valor cultural, estar desaproveitado e ditado ao abandono. A história da sua “vida” foi atribulada, cheia de avanços e recuos, no entanto, ainda vai a tempo de encontrar um final feliz. Só espero que seja esse o caso!

 

 

 
Sites consultados: Wikipédia
Imagens retiradas do Google e blogue Bracara Augusta

24
Jun 08

 

 

 

 A Camisola Poveira é o traje de romaria e festas da Póvoa de Varzim, Porto. Antigamente, eram utilizadas pelos pescadores para se protegeram do frio, dado que são camisolas de lã, bastante quentes.

 

 

As cores utilizadas são três: branco (a cor da malha), o vermelho e o preto (bordadas a ponto cruz na camisola).

 Siglas Poveiras base para a maioria das siglas familiares.

 

 

Esta peça integrava o traje masculino de romaria e festa do pescador poveiro.

Com a grande tragédia de 27 de Fevereiro de 1892” em que morreram 105 pescadores à entrada da barra de Póvoa de Varzim, “o luto decretou a sentença de morte deste traje branco. A camisola sobreviveu, ainda, pela primeira metade do século, mantendo-se como peça de luxo de velhos e novos.

“A camisola poveira era inicialmente (1ª metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e, depois feita e bordada na Póvoa.

 

A recuperação do vistoso e original traje branco deveu-se a Santos Graça que, ao organizar o Grupo Folclórico Poveiro, em 1936, o ressuscitou e divulgou.”

Hoje em dia, as camisolas poveiras, são produzidas por artesãs poveiras que destinam a sua produção às casas de artigos regionais. No entanto, o traje deixou de ser utilizado pelos pescadores, tendo hoje um fim meramente turístico.

 

Sites consultados: Wikipédia, Câmara Municipal Póvoa de Varzim

Estas camisolas têm motivos marinhos, o brasão da Póvoa de Varzim e de Portugal, e siglas poveiras (são uma forma de escrita primitiva, usada durante séculos na Póvoa de Varzim pelos pescadores, que utiliza um sistema de comunicação visual simples), escudo nacional, patinhos, vertedouros, remos cruzados, etc.

- Artesanato do distrito do Porto –


23
Jun 08

- Lenda do Distrito de Viana do Castelo -

(Estátua de Inês Negra à entrada da zona histórica de Melgaço, Viana do Castelo)

 

 

Esta história teve lugar em 1388, no início do reinado de D. João I, em que se travou uma guerra contra Castela pela independência de Portugal. Esta contenda, em que sobressaíram os feitos do Condestável Nuno Álvares Pereira e de muitos nobres portugueses, dividiu a aristocracia e o povo português, tomando muitas terras o partido de Castela. Foi durante esta guerra civil que a Inês Negra, uma mulher do povo fiel à causa portuguesa, abandonou Melgaço quando esta cidade se pôs ao lado do rei de Castela. Quando D. João I decidiu reconquistar Melgaço, Inês Negra juntou-se ao seu exército, mas as duas facções nunca chegaram a defrontar-se. A batalha travou-se entre Inês Negra e uma sua inimiga de longa data, a "Arrenegada", que tinha optado por apoiar os castelhanos. A lenda diz que a "Arrenegada" desafiou Inês Negra do alto das muralhas, propondo que a contenda fosse resolvida entre ambas com o acordo do exército castelhano. D. João I assistiu espantado à resposta de Inês Negra que dizia aceitar o desafio. Ambos os exércitos concordaram com este duelo e a Inês Negra, de espada na mão, defrontou a sua inimiga apoiada pelos gritos de incitamento dos homens de D. João I. O silêncio instalou-se quando a "Arrenegada" fez saltar com um golpe a espada das mãos de Inês, mas esta tirou uma forquilha da mão de um camponês e fez-se à luta, procurando atingir a "Arrenegada" nas pernas. Sentindo-se em desvantagem, esta atirou fora a espada e pegou num varapau que quebrou com fúria nas costas de Inês. Louca de fúria e de dor, Inês Negra largou a forquilha e atirou-se com unhas e dentes à sua oponente, rolando ambas no chão empoeirado. Um grito de dor gelou a assistência, que não conseguia perceber qual das duas vencera. Foi então que a "Arrenegada" se levantou e fugiu para o castelo, tapando as nódoas e o sangue do rosto com as mãos. Os castelhanos abandonaram Melgaço no dia seguinte e D. João I quis recompensar a heroína, mas esta respondeu que estava plenamente recompensada pela sova que tinha dado à sua inimiga.


 

 

Lenda: “Do latim legenda, “coisas que devem ser lidas”. Originalmente, a palavra designava histórias de santos, mas o sentido estendeu-se para significar uma história ou tradição oriunda de tempos imemoriais e popularmente aceite como verdade”.

 

Tradição vem do latim (traditio, trader = entregar). “É o conjunto dos testemunhos em que um texto se materializou ao longo da sua transmissão. Compreende, por um lado, os manuscritos e impressos que o conservam (tradição directa) e, por outro, as citações, traduções e outras formas de atestação, mesmo que em segunda mão (tradição indirecta).”

 

Este blogue é criado para divulgar a nossa cultura, o nosso património.

Vai dar-vos a conhecer um Portugal de que nos temos vindo a esquecer

Apenas quero transmitir a “mensagem” para que esta não se perca no tempo, não se dissolva no ar, não desapareça do nosso quotidiano.

Porque há coisas que devem ser lidas”.

 


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